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 "A bomba não para. E não tem previsão de parar." 

Arte: Júlia Ozorio  

A superlotação, combinada com a dificuldade de acesso aos produtos de higiene básica, inclusive de água em algumas unidades, transforma os 1500 presídios nacionais em uma bomba-relógio de saúde pública.

E a pressão só aumenta durante o atual cenário de pandemia que, de acordo com dados do Consórcio de Veículos de Imprensa, já deixou mais de 1,3 milhão de mortos em todo o mundo. 

Tic-tac, Tic-tac… Minuto a minuto, a bomba com 748 mil homens e mulheres fica mais próxima da explosão. Como respeitar o distanciamento social em um ambiente que não lhe fornece essa possibilidade? Como cumprir as normas de higiene básica quando se está em um espaço sem ventilação e sem produtos para limpeza das celas e dos próprios presos? 

Mas as famílias continuam na luta. Diariamente, tentando desarmar esta bomba prestes a explodir. São os relatos de familiares que mostram a total ineficiência do Estado em garantir condições dignas de vivência - ou melhor, de sobrevivência - no cárcere. Tic-tac, tic-tac… A bomba não para. E não tem previsão de parar.

O superencarceramento foi estimulado com a promulgação da Lei das Drogas, em 2006. Em consequência, a população em privação de liberdade cresceu exponencialmente. De 1990 a 2005, houve um crescimento de 270 mil indivíduos no cárcere. De 2006, ano em que a Lei foi criada, até 2016, esse crescimento foi de 300 mil pessoas. Ou seja, uma taxa de crescimento maior em um período de tempo menor.

Logo, não é de hoje que a bomba-relógio está armada, mas quando uma pandemia surpreende todo o mundo, esta bomba fica mais próxima do estouro. Até mesmo a Secretaria da Administração Penitenciária do estado de São Paulo (SAP-SP) admite que não consegue proteger todos aqueles que vivem no cárcere. “Nós, infelizmente, temos uma questão populacional muito intensa, então não conseguimos fazer grandes movimentos, mas fazemos orientações”, declara Sérgio Bassit, diretor do grupo de Planejamento de Ação e de Saúde, que trabalha em conjunto com a Coordenadoria de Saúde da SAP-SP. 

O que carcereiros e encarcerados não contavam é com um vírus que precisa ser combatido com tudo o que não há dentro de um presídio: distanciamento social, cuidados com a saúde e higiene.

 

De lá pra cá, muita coisa aconteceu e a contagem regressiva da bomba-relógio não parou.  Ao contrário. 

 

O compasso do seu tic-tac só acelera…